quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cicarelli na Austrália (ou quase)

Falando em celebridades, como sabem, em São Paulo eu era vizinho da supergata (e agora saudosa) Daniella Cicarelli. Comprávamos pãozinho no mesmo português bigodudo e mal-humorado, acompanhávamos as manchetes/escândalos sobre ela na mesma banca de jornal, frequentávamos o mesmo parque, onde corríamos entre as mesmas flores, o mesmo jardim, enfim, vivemos uma linda história de amor (só falta alguém avisá-la). Cheguei até a compor uns versinhos, que virou o tema do casal:

“A mesma padoca, a mesma banca, as mesmas flores, o mesmo jardim...”

Foto: Revista Trip


Pois bem, por aqui a coisa é diferente. Em vez da Cica, quem dá o ar da graça na vizinhança são 3 bêbadas que costumeiramente arremessam pratos, sandálias e xícaras pela janela (ver texto “Um domingo qualquer”). Até uns meses atrás, toda vez que eu saía na sacada e via algum objeto voador totalmente identificável partindo do apartamento 21, meu coração apertava de saudade. Até que numa bela manhã de segunda-feira, na Geos – a escola de inglês onde estudei de agosto a novembro –, ela apareceu!

Na verdade, não exatamente Daniella Cicarelli, mas Natacha Carabajal, supergata feita à imagem e semelhança da minha musa tupiniquim, mas argentina, que vive no Chile e se tornou minha vizinha... de classe. Tínhamos a mesma turma, frequentávamos o mesmo parque, tomávamos as mesmas botejinhas de vinhos, enfim...


Turma da Geos, domingo no parque (ela é a primeira da esquerda).

Natacha, para a minha tristeza, já retornou para o outro lado do Pacífico e, assim como Dani Cica, ficou com um pedaço do meu coração. Mas para amenizar tamanha dor, novamente escrevi uns versinhos extremamente profundos de recordação:

“Quase a mesma classe, o mesmo parque, as mesmas botejas, o mesmo tin-tin...”

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Genéricos chegam para o Australia Open

O Australia Open 2008 só começa no dia 14 de janeiro, em Melbourne, mas algumas das maiores estrelas do mundo do tênis já chegaram por aqui.

No último dia 31 de dezembro, em Nielsen Park, foram flagrados nada menos do que o maior nome da atualidade, o suíço Roger Federer, tricampeão do Australia Open (2004, 2006 e 2007), e dois ex-top 1 do mundo: o alemão Boris Becker, bicampeão do torneio em 1991 e 1996, e o chileno cabeça quente Marcelo Rios, finalista em 1998.

É só o começo!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Santa Claus existe - Vocês reconhecem a mãozinha?

Conheço o nosso glorioso Papai Noel há tempos. Em 3 décadas de vida pedi muito cartucho de Atari, Comandos em Ação e, claro, a tão sonhada bicicleta. Já o Santa Claus eu ainda não havia tido o prazer.



Era final de tarde de uma terça-feira, 18 de dezembro, quando uma fonte vitoriana (muito comum aqui) me relevou que ele estaria por estas bandas para um rápido reconhecimento do terreno. Afinal, estamos às vésperas do grande dia.

Com uma máquina na mão e um gorro natalino na cabeça (Cinema Novo em estado bruto), fui para o local onde o mais famoso filho da Lapônia supostamente estaria. E ao chegar lá, para minha surpresa descobri que a bela fonte vitoriana é, na verdade, uma grande fofoqueira, já que centenas (talvez milhares) de pessoas também o esperavam.



Embuído do meu dever jornalístico, fiz das tripas coração para tentar conseguir alguma imagem. Mas não foi fácil. Tive que passar por mal encarados seguranças kiwis, serelepes crianças ávidas para entregar a lista de presentes em mãos, pais e mães consumindo quantidades homéricas de vinho e cerveja, além da guarda pessoal do Santa, formada por renas eunucas no cio.

Assim que passei por todos estes obstáculos e me aproximei, notei que o bom velhinho (good little old man por aqui) de maneira alguma queria ser fotografado. Pior! Quando me viu, nosso tricolor do Pólo Norte - no melhor estilo celebridade de saco cheio (sem trocadilhos) - virou o rosto e tentou se esconder atrás da janela do Papai Noel Móvel (o trenó só funciona na “noite mágica”). Mas com a astúcia de um Chaves (o do México, não o da Venezuela), a velocidade de um Mário Tilico e o senso de oportunismo de um Romário, consegui, contra tudo e contra todos, este impressionante furo fotojornalístico. Vocês reconhecem a mãozinha?



Feliz Natal a todos, Merry Christmas e Feliz Navidad!!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O dia em que a letra “C” foi à praia



O litoral brasileiro é campeão em lançar modismos. Nos anos 70, por exemplo, nosso então ex-guerrilheiro e futuro deputado, Fernando Gabeira, lançou a máscula sunguinha de crochê (uma glaça!). Na década de 80 tivemos o revolucionário fio-dental, uma das grandes marcas da mulher brasileira (na verdade, uma marquinha). Nos anos 90 foi a vez do arrastão, novidade do verão carioca que repercutiu no mundo inteiro. E mais recentemente, na primeira década do século XXI, foram os insuportáveis sungas-vermelhas que deram o ar da graça nas areias tupiniquins, especialmente no litoral sul do País (do Rio pra baixo).

Pois bem, como estou há apenas 4 meses aqui, ainda não tive tempo de realizar uma pesquisa aprofundada sobre os modismos locais. Mas estes dias vi algo sensacional (na verdade, Cen-sa-cio-nal). Lembram dos aviões monomotores que passavam com faixas da Kibon e outros anunciantes nas praias? Então, no último sábado vi uma versão terrestre e com bunda deste ícono do verão brasileiro.



Eu estava na minha cadeirinha cativa em Coogee Beach, quando levei um susto ao ver a letra “A” chegando na praia. Ela tinha aproximadamente um metro e meio e era vermelha (talvez por causa do sol). Olhei bem e pensei: Pronto! Era o que me faltava. Agora as letras vão à praia, se divertem... Se a situação já estava difícil para nós, jornalistas, redatores e escritores, agora que elas não precisam mais da gente, é o fim. Pra piorar, o “A” não estava sozinho, mas muito bem acompanhado pelas letras “H”, “C”, pela sua irmã gêmea de mesmo nome, e pelo “P”. Definitivamente, era o fim!

Não preciso dizer que a praia parou para olhar, e eu, com a curiosidade de ex-jornalista (sim, acabara e jogar a toalha), também. Conforme as letras se aproximaram, notei algo diferente. De longe, sou péssimo para enxergar sem óculos, mas de perto, vi que as letras tinham pernas (muito bem torneadas por sinal), bunda, braços, belos pares de seios e até madeixas (chu-ín!).


Durante uns 20 minutos não teve uma pessoa que não parou para observar o desfile das belas letras que formavam a palavra “PACHA”, danceteria que, imagino pelo teor do folder, deve ter algo de inferninho ou coisa do tipo.

Mas o fato é que por alguns instantes, observando a maravilhosa letra “C” (pausa para uma revelação bombástica: a letra “C” é loira!!!), apaixonei-me na hora . Não vou dizer que foi amor à primeira vista, pois eu já a conheço há pelo menos 26 anos – desde que aprendi a escrever Pablo NaCer no final do jardim de infância – mas que estou apaixonado pela letra “C”, ahhhhh estou!
Vou inclusive convidá-la para um cafezinho sem compromisso lá em casa, onde comeremos camarões e caranguejos, beberemos um chardonnay e um cabernezinho, fechando a celebração com um cheescake de cereja e um cappuccino. Cen-sa-cion-al (ops)!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O tal do cricket



Desde que a temporada de rugby acabou por aqui, há uns 2 meses, o cricket se tornou o esporte da vez. Como bom rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e vindo do Brasil, tenho me esforçado para entender o plério. Mas não é fácil. Por ora, desvendei a logística das açõs – o cricket nada mais é do que o nosso taco de rua com pompa britânica e jogado como se fosse beisebol – e estou impressionado com o “approche” do arremesso (vejam o vídeo, é arte pura, mais um pouquinho e o cara sai voando). Mas o problema tem sido a pontuação.



Me desculpem, mas um placar que mostra Austrália 5/363, pra mim, não diz absolutamente nada. E o problema se agrava quando a TV mostra uma porção de números e gráficos que, tenho certeza, nem mesmo Sir Joseph Cricekt, o saudoso inventor do jogo, entende.



Por conta disso, resolvi boicotar as partidas televisionadas e só tenho assistido aos jogos ao vivo, como este que rolou no último sábado, no campo do lado de casa. Não sei quem estava jogando, não sei quanto foi, não vi números como 5/363 e muito menos gráficos.



Mas sei que um dos times de branco venceu (os dois times estavam de branco) e eu me diverti um bocado tomando uma cerveja gelada e relembrando os bons tempos de taco da infância, quando a cada 2 minutos o jogo era interrompido para dar passagem para um Monza, uma Caravan, uma Brasília ou um Fusca.

Ah! E falando em pompa britânica, vejam o modelito dos juízes!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cunhado x Brother-in-law

No Brasil, é muito comum dizermos que se cunhado fosse bom, não começaria com “cu”. Concordo plenamente! Além de o cara se engraçar com a nossa irmã, aos poucos vai tomando conta da casa como se fosse um polvo de boné, regata e havaianas. Sabem como é, ele tem sempre um tentáculo na geladeira, outro na mesa de jantar, outro no banheiro, outro na poltrona preferida e por aí vai.



Quantas e quantas vezes ele não está ocupando e “perfumando” o nosso banheiro quando, atrasados, precisamos escovar os dentes para ir trabalhar? Quantas e quantas vezes a gente não chega em casa e vê o cara tomando aquele vinho que estava guardado para uma ocasião especial como se fosse cerveja em copo de plástico? Quantas e quantas vezes ele não pega “emprestado” 2 livros, 5 DVDs e 15 CDs sem avisar? Quantas e quantas vezes ele não está com a nossa bermuda, as nossas havaianas e, Deus, por favor, espero que nunca tenha acontecido, a nossa cueca? Sem contar que em geral o cara sempre torce para o time rival.

Aqui na Austrália é diferente. Primeiro porque não começa com “cu”, mas com “bro”. Na verdade, com “brother”, já que em inglês é “brother-in-law” (aprendi no módulo “The Book is on the Table – Avançado”). Ou seja, a gente não ganha um polvo de boné, regata e havaianas, e cheio de tentáculos, mas um comparsa para tomar cerveja, assistir a umas partidas de rugby, praticar inglês, conhecer as amigas, ir ao pub e até descolar uns trampos.




Claro, seja em português, inglês ou mandarin, ele ainda está se engraçando com a irmã. Mas, pelo menos no meu caso, além de o cara ser gente fina pra caramba, ele é grande apaixonado por futebol e fanático torcedor do Liverpool. Eu, são-paulino, não preciso dizer mais nada!!!

Mi-nei-ro: 1 a 0!!!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Dia do Fico



Ontem, domingão, daqueles esquisitos com tempo seco e nublado, senti que merecia um vinho. Não pelas condições climáticas, mas por ser véspera de um dia extremamente importante: o Dia do Fico.





Sim! Sou uma espécie de Dom Pedro I versão Oceano Pacífico ou Mar da Tasmânia. Se em 9 de janeiro de 1822 nosso então príncipe regente proferiu: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam ao povo que fico". Hoje, quase 186 anos depois, chegou a minha vez. Através da Ozzy Study Brazil, personificado na figura do meu grande amigo Lecão (ao lado da minha irmã, o cara que mais me ajuda na Austrália), me matriculei numa nova escola e apliquei para um novo visto. E isso significa que se o Departamento de Imigração recarimbar o meu passaporte, ficarei por aqui pelos próximos dois anos. E claro, para comemorar, nada melhor do que uma botejinha.





Aqui tem muito vinho barato, o que é um perigo, não só pelo fácil acesso, mas por ter muita bomba no mercado. Em contrapartida, é sempre um prazer descobrir botejas honestíssimas a $ 10. E foi o caso deste Cabernet Sauvignon 2006 que escolhi para festejar o Dia do Fico. Com apenas 10 doletas no bolso e não querendo errar, optei por um produtor conhecido, o nosso glorioso Yalumba, a família de vinhateiros mais antiga da Austrália. Eles começaram há mais de 150 anos em South Australia e hoje estão espalhados por diversos Estados e regiões.


The Y Series é uma das linhas mais básicas da Yalumba (tremendo nome, não?). Como o vinho é muito jovem, 2006, ele ainda está um pouco fechado no nariz, mas é fácil identificar frutas como ameixa e algo de serragem. Conforme evolui no copo, o aroma das frutas fica mais intenso e a serragem dá lugar a um delicioso aroma de baunilha. Na boca acontece o mesmo, aparecendo uma menta que dá aquela famosa ardidinha do Cabernet Sauvignon na ponta da língua. O vinho tem corpo médio e boa acidez em perfeito equilíbrio com os taninos, que já deram uma amaciada.




Até 2011 o vinho ficará cada vez melhor, como pude ver no 2005 que abri a poucos minutos para celebrar oficialmente a proclamação do Dia do Fico. Ele está com os aromas mais acentuados, mais redondinho e em algumas horinhas vai ter que aguentar um carneirinho assado. Talvez seja muito pra ele!


No mais, após ter aplicado para um novo visto e estar prestes a completar a insossa idade de 31 anos, digo: “Se é para o meu bem e, infelizmente, tristeza geral da mamãe, digam ao papai que fico”.