sábado, 26 de fevereiro de 2011

Coluna Vatapá com Shiraz - Bares e Igrejas

by Paulinho Martins

Pablo, tem muitas igrejas na Austrália? Existem bares de frente a elas? Sempre frequentei bares de frente a igrejas. Não é culpa minha! As igrejas insistem em surgir na frente dos bares. Talvez seja ao contrário, mas o fato é que eu não sou o culpado. A culpa é do bar ou da igreja.


Catedral em Ilhéus

Não que eu tenha algum problema religioso com isso. Eu não! Jesus tomou vinho na Santa Ceia. Na verdade, acredito que bebedeiras em frente a igreja me deixam com mais fé. Ou pelo menos em estado ébrio, um pouco mais aguçado.

Em Cananéia, a balada era em frente a igreja. Em São Paulo, mais especificamente em Pinheiros, tem um tradicional bar chamado Cú do Padre. Clássico atrás da igreja. Isso é brasileiro ou mundial?

Enfim, com a consciência totalmente tranquila, sou frequentador do Vesúvio, emblemático bar de Ilhéus que teve seu nome escrito na história de Jorge Amado. Isso mesmo, o Bar do Sr. Nacib e que tinha ninguém menos do que Gabriela cravo e canela como cozinheira. O bar existe até hoje. E tem duas coisas que eu realmente adoro nele: a vista da catedral e o pastel árabe.



A catedral é linda, cheia de histórias, bem cuidada. Nem parece Ilhéus. Digo isso porque Ilhéus está realmente mal cuidada, mas a igreja merece uma visita. E, ao sair de lá, passe no Vesúvio e peça um pastel árabe (R$ 4,00).

O pastel árabe é um salgado em forma de esfiha feito com uma massa folhada e recheada com uma espécie de pasta de ricota com temperos sírios. Quando perfeito, é sequinho por fora e seu recheio é cremoso e quente. E eles servem com um molhinho de cebola bem apimentado, a "pimenta da casa". Como mais de um por semana!



Infelizmente, a carta de vinho é ruim e não tem nada que mereça. Mas eu sou cara de pau, levo o meu e pago a rolha. Sem problema.

Para o Pastel, recomendo um Casa Valduga – Dueto Chardonnay/Riesling (à venda no Bataclan por R$ 45,00) bem gelado. Você não sabe o calor que faz em Ilhéus, Pablito, vinho branco a 10 graus aqui é chá. Precisa ser gelado. Ou prove com o chope escuro Xingu na Tulipa (R$ 3,90) bem tirado da casa.

Nacer, algum bar eclesiástico que mereça destaque nas terras do terceiro continente à sua escolha?

Dica
Bar Vesúvio
Praça Don Eduardo, 190
Bataclan
Praça José Marcelino S/N

***

by Pablo Nacer

Paulinho, respondendo a pergunta lá de cima, acredito que o fenômeno bar/igreja seja brasileiro e não mundial. Vejamos!

Quem viaja o Brasil sabe que em toda cidade, por menor ou mais longínqua que seja, tem sempre uma praça principal com a igreja matriz, o coreto, o bar e o Bradesco. Levando em conta que, historicamente, as cidades são fundadas em torno da igreja, e tendo conhecimento de que o sistema bancário é uma necessidade muita mais recente do que a de tomar um porre ou se exibir em praça pública, a questão passa a ser quem veio primeiro, o bar ou o coreto? A Ilhéus de Jorge Amado talvez tenha a resposta.


St Mary's Cathedral, Sydney

Por aqui, apesar de praticamente 65% da população ser cristã, sendo que 1/4 desse total é católico, igreja é muito mais para inglês ver do que para rezar (até porquê foi ele quem construiu). Lembro que nas minhas primeiras semanas de escola de inglês na Austrália, eu saía com uma colombiana que reclamava de não encontrar igreja aberta para ir à missa nas manhãs de domingo. Pobrecita! Em solidariedade, eu engrossava o coro por não encontrar bar aberto enquanto ela procurava igreja, mas isso é outra história.

O ponto é, por aqui temos igrejas maravilhosas, incluindo a e-p-e-t-a-c-u-l-a-r- St Mary's Cathedral, a maior da Austrália, construída no estilo gótico vitoriano do século XVIII, no Hyde Park, centro da cidade. Adoro ela e, coincidentemente, neste final de semana teremos a maior feira de vinho de Sydney, no mesmo parque.



Na Austrália, não temos bares e botecos de calçada como temos em toda esquina do Brasil, o que por um lado é bom e por outros dois é ruim. Em compensação, temos os pubs, que possuem praticamente a mesma finalidade mas são, por lei, vinculados a um hotel. Ou seja, todo pub está localizado dentro ou junto de um hotel, o que não significa que todo hotel tenha um pub (legislação provavelmente criada para a colônia não descambar).

Sendo assim, Paulo, não é tão comum tomar cerveja em bar com vista para igreja (exceto quando o pub tem beer garden), nem mesmo frequentar igreja antes de ir para o bar. Porém, o mesmo não se pode falar de Adelaide, capital de South Australia, conhecida como a cidade da igrejas.

Sim, meu amigo, Adelaide, que nada tem a ver com a anã paraguaia, mas deveria ter sido o destino australiano da minha ex-colombiana, foi erguida por protestantes ingleses e luteranos alemães para, a exemplo de toda South Australia, não ser uma colônia penal, mas uma sociedade mais justa e tolerante, com ideias bastante avançadas para a época. Não por acaso South Australia é conhecido como o estado dos fetivais e igualmente não por acaso foi o segundo lugar do planeta em que mulheres tiveram direito a voto.

E o meu apreço por este meridional estado aumenta ainda mais com o fato de ser mundialmente conhecido por abrigar algumas das melhores regiões vinícolas do país, como o Barossa Valley e o Eden Valley, de onde saem, respectivamente, os ícones Penfolds Grange e Henschke Hill of Grace, dois dos melhores Shiraz já produzidos no mundo.



Viva as igrejas, os bares e o vinho (não necessariamente nessa ordem). E vamos bebendo, Paulinho!

Dica
Sydney Cellar Door
Sábado, 26 e domingo 27 de março, das 11h às 18h
Hyde Park, Sydney
Mais de 100 vinícolas de New South Wales
Entrada grátis
http://www.nswwinefestival.com.au/

Coluna Shiraz com Vatapá anterior>>>
Essa coluna também está no blog do Paulinho Martins

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Flagra - by 38

Fabio Morgado Romano, o popular 38 (ou thirty eight, como o chamamos aqui), amigo de mais de duas décadas, é o responsável pelo insulto abaixo (ou seria um flagra)?



A imagem é um frame do vídeo da ESPN Brasil feito pela dupla Otavio Neto e Tuca Andrade, durante o Vans Bowl-A-Rama que rolou semana passada aqui em Bondi Beach, no Almeidão. Voando no skate é o brasileiro Pedro Barros, vencedor da etapa.

Caso não consiga ler, clique na imagem!

Morgson, já acionei o meu advogado, o Luba!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mutantes grátis, Ensaio do bloco e Planta & Raiz

A partir de hoje, quinta-feira (24/2), em Sydney, e amanhã, sexta (25/2), em Melbourne, durante uma semana vocês que ainda não compraram seus ingressos para os shows dos Mutantes poderão levar dois pelo preço de um. Isso mesmo, compra um ticket e leva outro grátis pra casa.



Os shows da maior banda brasileira de todos os tempos acontecem no dia 9 de março, no Enmore Theatre, em Sydney, e em 11 de março, no Forum Theatre, em Melba. Eu, claro, estarei nos dois!

Ingressos duplos para SYD por aqui e para MEL por aqui.

Outra coisa!



O ensaio do BlóCoogeeLoko, que seria hoje no Coogee Bay Hotel, foi transferido para este domingo, às 18h, no mesmo local. Sei que vocês vão dizer, pô, mas tem o show do Planta & Raiz no mesmo dia, como que... Sem problema!



O show do Planta na Home só vai começar mais tarde, portanto, a ideia é justamente fazer um esquenta no Coogee Bay, curtindo um samba e aprendendo o enredo, e depois seguir para Darling Harbour para cair na regueira (bus 373) - parecido com o que já rola com o Favela pós-Coogee ou Beach Road. A entrada para o ensaio é grátis.

Para quem ainda não tem ingresso para o Planta & Raiz, passe na agência da City ou de Bondi da Ozzy Study Brazil nesta sexta-feira e garanta.

Os próximos ensaios acontecem no domingo, 6 de março, e depois na quinta, 10 de março. O CarnaCoogee é dia 12 de março!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Terremoto na NZ e a força dos All Blacks

Estive os últimos dois dias na Central Coast, preparando toda papelada, documentos, certificados, comprovantes de que não matei ninguém e afins para dar entrada num novo visto, por isso não consegui escrever nada sobre a Nova Zelândia, nosso e-p-e-t-a-c-u-l-a-r vizinho de terceiro continente à sua escolha.

No pouco que pude acompanhar, o que mais me chamou a atenção foi a enorme comoção que tomou conta da Austrália, não só pela proximidade e pelos laços históricos, como também por termos cerca de 500 mil neozelandeses vivendo aqui, o segundo maior contingente de estrangeiros, atrás somente do Reino Unido.

A situação em Christchurch, a cidade mais atingida pelo terremoto de 6.4 graus de magnitude, como todos sabem, é absolutamente devastadora, já foram encontrados 75 mortos, teme-se que o número chegue a 200 e cerca de 300 pessoas estão desaparecidas. Algumas notícias recentes é o fato de que o Grand Chancellor, o hotel mais alto da cidade, pode cair a qualquer momento, e que seis picaretas desalmados foram presos no final da tarde saqueando lojas e outros estabelecimentos. De Christchurch vão direto para o inferno!

Como entusiasta da Nova Zelândia, amante das neozelandesas, fan de rugby, curioso pela cultura maori e xavante do terceiro continente à sua escolha ligado no 2012 dos maias, segue minha singela homenagem aos amigos kiwis através do tradicional Haka dos All Blacks, a manifestação mais forte que vi desde que cheguei na Austrália. Força é o que eles mais precisam neste momento!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Direto da redação

Como está tudo acontecendo ao mesmo tempo e nos próximos dias, vamos manchetando as penúltimas que chegam à redação:



Começando pelo extremo norte da Austrália, mais precisamente em Milingimbi Island, cerca de 400km a leste de Darwin, onde um menino de 14 anos está desaparecido desde a manhã de domingo, sendo que o principal suspeito é um crocodilo, o Hebert (foto acima). Levando em consideração que os crocodilos de água salgada daquela região chegam a seis metros de comprimento, as autoridades locais não têm muita esperança de encontrá-lo vivo.

Ainda em Northern Territory, ontem, às 21:59:35, um terremoto de 4.7 de magnitude sacudiu o Outback, num ponto a 334 km a nordeste de Alice Springs. Para ser mais exato, em 21.069°S, 135.432°E.

No esporte, com o cancelamento do GP de Fórmula 1 que aconteceria em 13 de março, no Bahrein, em virtude da instabilidade política vivida pelo país, a abertura da temporada 2011 passa a ser na Austrália, com o GP em Melbourne no dia 27 de março.



A partir de hoje à noite, a Tropical Heat, reggae que a Fibra Entertainment e a Ozzy Study Brazil faziam no Cock n' Bull, toda terça-feira, passa a ser na The Eastern, também ali em Bondi Junction. A entrada continua grátis, no palco Ziggy and Wild Drums e Caribbean Soul mantêm-se revezando e cerveja custará $4 a noite inteira, a diferença é que agora a regueira vai até de madrugada.



Já que o assunto é carnaval, na sexta-feira, em Melbourne, a amiga Juliana Frantz junta o útil ao agradável começando a temporada 2011 do Samba Cine Club com a festa de carnaval mais cool de Melba. Entre as atrações, dj's, bandas ao vivo tocando marchinhas e sambas, entre outros, comes e bebes, concurso de fantasia que vai premiar o vencedor com um par de ingressos para o show dos Mutantes, além, é claro, exibição de curtas-metragem sobre carnaval. Entrada $5 para quem for fantasiado e $10 para quem for sem fantasia. Infos>>>



Também na sexta, o Costa Rae se apresenta no 505 (280 Cleveland St), em Surry Hills. Para quem não sabe, o Costa Rae, ex-Dubbly, é a banda do Fernando Aragones, também conhecido pelos trabalhos solo e com o Toca Jorge. Com uma pegada bem setentista, o Costa Rae traz uma sonoridade californiana juntando com a cultura de praia da Austrália atual. Som de primeira! Ouvir>>>



Sábado e domingo, o Hyde Park South vai receber cerca de 90 vinícolas de 14 diferentes regiões de New South Wales, em uma espécie de Walt Disney para adultos fanfarrões. Trata-se do NWS Wine Festival, o maior festival de vinho de Sydney. Entrada grátis! Infos>>>



Já o segundo ensaio do BlóCoogeeLoko, que seria na quinta, no Coogee Bay Hotel, foi transferido para o domingo, no mesmo lugar, só que a partir das 18h. A bateria ainda está sendo formada para o CarnaCoogee 2011, portanto, se você quer fazer parte, é só colar lá. A entrada é grátis! Para conhecer o samba enredo que compus juntamente com o Andrezinho, especialmente para o bloco, clique aqui! E de lá, a caravana do reggae segue para a Home, em Darling Harbour, onde acontece o primeiro show do Planta & Raiz na Austrália (vide abaixo).



Fechando esta semana e abrindo a próxima, a banda paulistana de reggae Planta & Raiz faz duas apresentações na Austrália. Domingo, dia 27, na Home Nightclub, em Sydney, e na segunda, dia 28, no Coolangatta Hotel, na Gold Coast (este com show de abertura do Ziggy and Wild Drums). Ingressos à venda na Ozzy Study Brazil.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pedro Barros vence em Bondi

"Vou tentar só andar de skate, como eu sempre ando, e vamos ver no que vai dar."


Pedro Barros no Almeidão by Guilherme Infante

A frase é do Pedro Barros, skatista brasileiro de 15 anos, horas antes de entrar no bowl de Bondi Beach, no sábado.

No final do dia, ele, que já havia faturado a etapa anterior do Vans Bowl-A-Rama, na Nova Zelândia, repetiu o feito na Austrália, vencendo pelo segundo ano consecutivo e confirmando que é o grande nome do esporte surgido nos últimos anos.

O Bowl-A-Rama é parte do circuito mundial e leva os melhores profissionais e masters em atividade para as melhores pistas do planeta. E a etapa de Bondi Beach, disputada durante a Fabiana Skate Week, no "Almeidão", é uma das preferidas dos skatistas por toda a atmosfera de Bondi e por ser a mais próxima da praia - sem mencionar as festas no Beach Road, claro, que reúnem uma das maiores concentrações de gatas por metro quadrado do universo.

A competição começou com as baterias classificatórias dos masters, que tinha lendas como os norte-americanos Pat Ngoho e Steve Alba, o neozelandês Lee Ralph, e o gênio Steve "Cab" Caballero, o cara que Tony Hawk tem como ídolo. Não preciso dizer mais nada!


Cab by Guilherme Infante

Depois foi a vez dos pros entrarem no bowl, que entre os 24 competidores, teve 5 brasileiros: Fabio Ticara, 34, paulistano que mora em Sydney e também trabalha no Hugo's; Otavio Neto, 31, paulista de São José dos Campos que possui marca própria de skate e acessórios (ON Hardware) e também escreve e faz reportagens para a ESPN Brasil; Nilo Peçanha, 23, carioca que vive em Sydney; Bob Burnquist, 34, o homem, a lenda da rampa; e Pedro Barros, 15, florianopolitano que viveu na Austrália. Além deles, o também conhecido dos brasileiros de Bondi, Nathan "Jimmy" Beck, australiano que competia no "quintal de casa" (este sim pode usar o termo).


Bob no quintal da casa do Jimmy by Guilherme Infante

Entre os 8 profissionais que se classificaram para as finais, dois brasileiros, Bob e Pedro, além do Jimmy. E quem realmente levou ao delírio os espectadores que lotaram o Almeidão e as imediações foi Pedro Barros através de boa variação de manobras e giros no ar executados com extrema precisão - o cara é realmente um fenômeno e já cravou seu nome na história do skate.


Pedro Barros by Guilherme... Infante

A seguir, classificação final e entrevista exclusiva:

Masters
1. Steve Caballero
2. Mik Mulhall
3. Lester Kasai
4. Nicky Guerrero
5. Sergie Ventura
6. Pat Ngoho
7. Sasha Steinhorst
8. Steve Alba

Pro
1. Pedro Barros
2. Rune Glifberg
3. Bucky Lasek
4. Bob Burnquist
5. Renton Millar
6. Narthan Beck
7. RJ Barbaro
8. Nolan Monroe

Entrevista com Pedro Barros


Pedro Barros e o gravador comprado junto com o ar-condicionado e o rádio relógio da redação by G.I.

Você chegou a morar na Austrália?
Morei por três anos em meio na Central Coast e também em Caloundra, na Sunshine Coast.

Você começou a andar de skate na Austrália ou no Brasil?
Comecei no Brasil, mas quando cheguei na Austrália e vi todas as pistas perfeitas, foi quando comecei a aprender melhor todas as manobras.

Você começou com quantos anos?
Desde que eu estava no carrinho.

O seu pai andava de skate?
Meu pai começou junto comigo, e eu tenho um amigo até hoje, o Leo Kakinho, que é skatista profissional, e ele que apresentou tudo.

Fala sobre o bowl que o seu pai construiu na sua casa, em Floripa.
Todas as casa que a gente teve as pistas foram construídas antes da casa, então a gente tem um bowl, um half, a gente está sempre tentando construir pistas novas. Esse bowl é novo, tem dois anos, e tá liberado pra quem quiser andar.

E pra hoje, você é um dos favoritos, o que tem em mente?
Vou tentar só andar de skate, como eu sempre ando, e vamos ver no que vai dar.

Agradecimentos especiais: Fabiana Almeida, Sasha Steinhorst e Guilherme Infante.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Adéu, Barcelona!

Em meio a tanta desgraça acontecendo em diferentes níveis e escalas, segue um dos vídeos mais bacanas que vi nos últimos tempos, feito por um brasileiro que acaba de desembarcar na Austrália após três anos vivendo em Barcelona. Foi justamente a gratidão à cidade que levou o diretor de arte Lucas Jatobá, irmão do nosso glorioso Fernando Jatobá, da Fibra, a fazer este emocionante filme. A seguir, entrevista com ele e, claro, link pra película.



Como e quando surgiu a ideia dos balões?
Depois que saí da agência de publicidade que eu trabalhava em Barcelona, eu queria um tempo para descansar e pensar na vida, antes de vir morar em Sydney. E pensei: como criativo, sempre tive que pensar ideias para os outros. Mas por que não pensar uma ideia criativa pra mim, pra agradecer os 3 anos que fui feliz em Barcelona?

Fale sobre o filme.
Primeiro fiz só com 7 balões, distribuindo 7 entradas de teatro. Isso foi em dezembro e paguei tudo do meu bolso. Só que usei uma música do Eddie Vedder que eu não tinha os direitos e me fizeram tirar o vídeo do ar no terceiro dia, quando já tinha conseguido 50 mil views. Daí, um website espanhol, atrapalo.com, que tinha visto e adorado, me ligou pra falar que queriam me doar 250 entradas para o teatro pra eu fazer tudo de novo. E então eu fiz esse novo vídeo, igual ao primeiro, mas com muito mais balões.

Como tem sido a repercussão do vídeo?
Só no primeiro dia tive 25.000 views e mais de 1.000 comentários super bonitos e emocionantes no Facebook! Muita gente se emocionou, chorou ao ver o vídeo e até uma menina me pediu em casamento (risos)!

Chegou a passar na sua cabeça que alguém poderia reclamar por estar, digamos, "sujando" a cidade?
Sim, poderia acontecer, mas acho que a atitude, a mensagem que os balões levam são mais importantes. Além disso, nenhum balão vai ficar no chão, porque sempre tem alguém querendo um balão pra levar pra casa. Quando a gente soltou os balões na Sagrada Família, as pessoas corriam e competiam pra ver quem ia pegar. Com certeza nenhum balão ficou perdido pela cidade.

O que você fazia na Espanha?
Eu trabalhava como criativo e diretor de arte numa agência de publicidade.

Quais são seus planos para a Austrália?
Conseguir trabalho em alguma boa agência de publicidade em Sydney.

Link pro vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=zEpo4gExLT8

Mais informações em www.lucasjatoba.com

Força, Godói!

Entre 1995 e 96, quando morei em São José do Rio Preto, cidade que amo no interior de São Paulo, tive como colega de faculdade Oscar Roberto Godói. Estudávamos jornalismo, eu estava começando a carreira no jornal A Notícia, enquanto ele já era um dos principais árbitros de futebol do país, à época em pleno imbróglio com o então zagueiro do São Paulo, Junior Baiano, que o acusara de apitar bêbado. Detalhe: ele não bebia. A ideia do Godói era simples, como estava na casa dos 40, foi para a faculdade se preparar para uma nova profissão.

Pessoalmente, o cara sempre foi muito gente fina e engraçado, mas sempre com aquele estilo direto e rude, que o caracterizou no futebol e, principalmente, na televisão. Goste ou não do jeito que ele apitava, dos comentários que faz (cansei de discordar do que ele falava e, em uma certa declaração sobre o Telê Santana, quase liguei na emissora pra tirar satisfação), no fundo, estamos falando apenas de futebol, a coisa mais importante das menos importantes, como diz seu companheiro Milton Neves.

Não vou entrar na questão da violência no Brasil, um dos motivos que me motivou a vir pra cá, para os xiitas daqui e de lá não começarem a me atacar, pois não é ocasião para polêmica. Só quero manifestar a minha solidariedade ao ex-companheiro de classe que durante dois anos sempre tirava onda de mim porque eu só usava bermuda, jamais jeans; e nos anos seguintes, toda vez que nos encontrávamos por acaso, sempre era extremamente simpático.

Força, Godói!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fabiana Skate Week - Bowl-A-Rama 2011

Começou!

O Vans Bowl-A-Rama, também conhecido como Fabiana Skate Week, etapa do Mundial de skate, invadiu Bondi tazendo a elite do esporte, incluindo alguns brasileiros.



Importante: a exemplo do campeonato de aéreos de surfe que rolou no ano passado, é terminantemente proibido tirar fotos com o Bob Burnquist, por exemplo, e a praia de fundo, e postá-las no Facebook com a legenda: "Eu e Bob no quintal de casa".

A única pessoa que pode usar o termo "quintal de casa" é o Pedro Barros, fenômeno de 15 anos que nasceu em Floripa, viveu alguns anos na Austrália e, atualmente, tem um bowl para treinar e se divertir com os amigos no quintal de sua casa, na ilha. Pra quem não conhece, ele é um dos maiores nomes do esporte na atualidade, está quebrando absolutamente tudo e no sábado passado venceu o Bowl-A-Rama de Auckland, na Nova Zelândia, a primeira etapa do Mundial. Repetindo: 15 anos.

Para ver o vídeo da vitória em solo neozelandês, o melhor lugar é o blog do Otavio Neto, dentro do site da ESPN Brasil (aqui). Otavio Neto é uma das figuras mais conhecidas e carismáticas do circuito. Além de grande skatista - foi quinto no ranking mundial de 2005 -, esse paulista de São José dos Campos também tem marca própria de skates e acessórios, e é fotógrafo profissional. Ao lado do cinegrafista Anderson Tuca, outro apaixonado pelo skate e igualmente figuraça, Otavio registra todas as viagens que faz pelo mundo e publica através de textos no blog, na revista Tribo e também em vídeos para a ESPN Brasil.


Fabi, Tuca, Nilo e Otavio.

Agora a pouco, estive lá com a dupla, além, é claro, da dona da festa, Fabiana Almeida, e dos skatistas Nilo Peçanha e Nathan "Jimmy" Beck. Nilo, 23 anos, é um bom exemplo para os brasileiros daqui. Vivendo há praticamente um ano na Austrália como estudante, o cara deu aquele tapa no inglês, vem treinando pra caramba e, a partir deste ano, começa a correr o circuito mundial com os tops do planeta. Ele em breve volta a morar no Brasil, mas ano que vem certamente estará de volta - com visto de trabalho - para competir e tentar vencer a etapa de Bondi.



Já o Jimmy (foto acima), um dos maiores faladores de "tudo bem" de Sydney, é um australiano que namora uma amigona nossa, Lili "Pacha Mama", e é um dos favoritos para este final semana (palavras do Otavio, não minhas, portanto, tem credibilidade). Hoje ele não estava muito afim de ir para o bowl, queria descansar, mas com alguns fotógrafos de jornais locais pedindo para fazer umas chapas, Jimmy foi à labuta e fez algumas manobras que levantaram o público que assistia no quintal da casa dele (sim, o cara é local). Antes, claro, sabendo que Pablito Austrália está repleto de patrocinadores, não perdeu a oportunidade para mostrar o tênis novo (espero receber dois pares pela propaganda gratuita).



E o negócio é o seguinte, até domingo, muita coisa vai rolar no bowl e no Beach Road Hotel. No bowl, durante o dia, além dos citados acima, nomes como Caballero, Bucky Lasek, Omar Hassan, Rune Glifberg, Sam Beckett, Pat Ngoho, Jackson Pilz, Juergen Horwarth, Renton Miller, Jeff ‘Skunk’ Williams, Curren Caples e Corbin Harris estarão treinando. No sábado, a partir das 9 da manhã, começa o campeonato pra valer, que este ano distribuirá 60 mil doletas norte-americanos em prêmio (tchu-tchín!) e terá telão ao lado, já que a expectativa é de grande público (dica: chegue cedo!). E todas as noites, no Beach Road, vão rolar festas com demos e bandas ao vivo; exposição de artes na sexta com peças feitas pelos próprios skatistas; after party quebradeira com entrada a $20 no sábado; e saideira monstra, das 18h às 22h, no domingo, fechando a Fabiana Skate Week - na torcida para que algum brasileiro ou o Nathan seja campeão!



Ah! Esta madrugada algum discípulo de Juneca Pessoinha deu o ar da graça e pichou o bowl. A pergunta: pra quê???

Para mais informações, visite o site oficial.
Volto com mais posts e fotos nos próximos dias.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ensaio do Bloco - Samba Enredo



O carnaval está chegando e com ele a segunda edição do CarnaCoogee, o carnaval do Balu no Coogee Bay Hotel, em Sydney. A festa será dia 12 de março, num esquema gigante que começará às 13h e vai até às 3 da manhã.

Até às 21h, a fanfarra vai ser no Beer Garden, ali fora com vista pro mar, com batucada, dj's, bandas e muito mais! A partir das 21h, a festa entra para o Selinas, que será transformado num salão de carnaval. O acesso ao Beer Garden é grátis, ao Selinas $25 (abadá incluso).

Sim, minhas amigas, meus amigos, o Balu é um tremendo fanfarrão e não só encomendou abadás, como também criou o primeiro bloco de carnaval de Sydney, o BlóCoogeeLoko, que a partir de amanhã, até o CarnaCoogee, ensaiará toda semana, no Coogee Bay. Entrada grátis!



A ideia é a seguinte, se você toca percussão ou gosta de bater lata, vá ao Coogee amanhã e faça parte da bateria, que começará a ser formada. Se você gosta de samba, de sambar ou de ambos, não perca amanhã, pois além de muita música, também será apresentado oficialmente o samba enredo do CarnaCoogee 2011, composto pelo Andrezinho e por mim.

Segue a letra!

Do Capitão Cook ao Mate - É carnaval no Coogee Bay
(Andrezinho Souza / Pablo Nacer)

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval no Coogee Bay!

How are you bro?
How's going mate?
É carnaval no Coogee Bay!

Austrália querida, continente tão distante
Terra de beleza fascinante
Sua história vou contar

Capitão Cook, o primeiro
Enviado por George III
Aportou no Rio de Janeiro

De lá, pit stop na África
Em Fiji, o céu observar
E ao sul, Austrália desbravar

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

Colonizadores,
Na maioria, prisioneiros
Trouxeram rum e cerveja
Dor de cabeça com coelhos
1850, corrida do ouro
Camêlos do Afeganistão
Século XX, fim da colônia
E a constituição

E hoje, nação multicultural
Um paraíso sem igual
Eu vou pro Coogee
Brincar o Carnaval

E hoje, nação multicultural
Um paraíso sem igual
Eu vou pro Coogee
Brincar o Carnaval

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ra-nal-do



O 9 vai, mas o 10 continua!

Ranaldo, ao lado de Romário, Careca, Van Basten e Hugo Mariutti, o melhor camisa 9 que vi jogar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vatapá com Shiraz - Estreia da coluna

Paulinho Martins, amigo paulistano de mais de 20 anos, grande chef de cozinha e de um tempo pra cá blogueiro, há alguns anos decidiu fixar residência na Bahia. Durante bom tempo, ele foi o responsável pela cozinha do Txai Resort, em Itacarezinho, e ultimamente tem se dedicado à Panela Brasil, sua empresa de consultoria para restaurantes, hotéis e afins.



Paulinho viaja constantemente pelo Brasil, mas elegeu Ilhéus, a cidade romance, como base. Ele responde pelo vatapá! Eu, que acabo de completar 3 anos e meio de Austrália, respondo pelo Shiraz. Para quem não etendeu, o negócio é o seguinte.

A partir de agora, nasce oficialmente nossa nova coluna sobre vinho e gastronomia, a Vatapá com Shiraz, espécie de conexão enogastronômica Bahia-Austrália com o intuito de levantar assuntos e abordá-los a partir dos dois continentes (sim, a Bahia também é um continente).


Itacaré - BA

A ideia nasceu de um antigo blog que tínhamos com o amigo Rafael Cury, o Vamos Bebendo. Desta vez, os textos estarão tanto aqui quanto no blog do Paulinho, cujo endereço é http://paulinhomartinscsg.blogspot.com/.

Para a primeira coluna, peguei um texto meu publicado na edição 13 da Radar Magazine - cuja proprietária é baiana -, e mandei pra ele, que já enviou outro de volta. E é assim que a coluna funcionará, um levanta um assunto e o outro devolve.

Esta começa com o texto da Radar, passa para o do Paulinho e depois fecha com a receita originalmente criada pelo chef Rafael Tonon. As fotos em Sydney são de Guilherme Infante.

Fish Market e os Mexilhões da estação
Pablo Nacer

O sol ainda não nasceu e mais de uma centena de pessoas entre chefs, cozinheiros e atacadistas já se preparam para tentar arrematar lotes e caixas de peixes e frutos do mar recém-chegados. O leilão acontece religiosamente de segunda a sexta-feira, às 5h30 da manhã, no Fish Market de Sydney, o maior mercado do gênero do Hemisfério Sul, onde são vendidos cerca de 14 mil toneladas por ano (sendo 20 mil quilos por hora durante o leilão). Mas, claro, você não precisa madrugar para comprar os seus pescados frescos.



Aberto ao público de segunda a segunda, das 7h às 16h (só não abre no Natal), o Fish Market é um lugar único, seja para comprar ou comer. O mercado está localizado em Blackwattle Bay, Pyrmont, desde 1966, e para quem gosta dos sabores do mar é o paraíso. Não em termos de instalações, pois é um típico mercadão de peixes como qualquer outro do planeta, mas pela diversidade de produtos, qualidade e preço – bem abaixo da média praticada na cidade.

Sabe aquele jantar com os amigos ou aquelas ostras mal intencionadas para a namorada? O Fish Market tem seis lojas para você comprar o seu peixe, molusco ou crustáceo fresco e levar para casa. Se preferir almoçar por lá, nas mesinhas internas ou do lado de fora à beira da baía, há várias opções de restaurantes que servem de espetinho de camarão a pizza, passando por sushi, fish and chips e até mesmo lagosta viva para escolher e comer na hora. Se quiser um vinho, cerveja ou refrigerante para acompanhar, também tem bottle shop.



Com a ideia de fazer uma receita que traduzisse bem o lugar e tivesse a ver com a estação, fui ao Fish Market com o chef brasileiro Rafael Tonon, do Hugo’s Bar Pizza. Rafael, que trabalha há 7 anos em cozinha na Austrália e vai com frequência ao mercado, não teve dúvida: “Vamos fazer os mexilhões que sirvo para os amigos e acabou entrando no cardápio do restuarante. Um dia soltei o prato sem ainda estar no menu, os clientes adoraram e não tiramos mais”, conta Rafael. Esta é uma receita fácil de fazer, rápida e custa menos de $10, já que o quilo dos mexilhões (mussels por aqui) sai por volta de $6. Um vinho legal para acompanhar e usar no preparo é o Robinsons Wairau River Vineyard Pinot Gris 2009, que não passa de $15.


Sydney Fish Market

Lambreta
Paulinho Martins

Como cozinheiro brasileiro/baiano, os mercados são o que eu mais invejo de vocês que moram fora.

Aqui, ainda estamos no primeiro processo em termos de mercado. Sempre disse que o mercado é um tipo de retrato de como cada cultura trata sua gastronomia. E ainda tratamos a nossa maior expressão gastronômica desta forma.


Porto do Malhado, Ilhéus-BA

Em ilhéus temos problemas graves com estrutura. Mas os produtos não tem nada a ver com isso. Eu cofio em alguns fornecedores. Tenho contato direto com eles. Muitas vezes vou até o pequeno produtor. Então em homenagem a você e meu colega de profissão Rafael Tonon dou minha dica de molusco da estação: nossa queridíssima lambreta.

Pessoal da Austrália, não confundam com a moto vespa ou ganhar de zero no truco, lambreta é um bichinho bem baiano. Uma espécie de vongole, um pouco maior, mas também com a mesma forma de cozimento. A lambreta tem um sabor picante e um caldo saboroso e rico.


Ilhéus-BA

Estou cada vez mais usando a filosofia do menos é mais na comida, então ando fazendo apenas com manteiga, cebola, lambreta e Chardonnay.

Lavamos bem com uma escovinha e colocamos em uma panela com a cebola refogada na manteiga e o vinho. No final, eu coloco uma ponta de colher de roux (mistura de manteiga e farinha que serve como espessante). Aqui na Bahia sirvo com torradas e salsinha, que eu corto com a mão para ficar bem grosseiro.

E para beber? Humm... Chardonnay novo com pouca madeira. Quase nada. Acho legal o Casa Silva Collecion Chardonnay 2010. Lambreta simples, vinho simples. Estou evoluindo meu processo de harmonização. Poderia iniciar uma balela dizendo que a acidez da varietal junto com o frutado levemente cítrico do vinho se ajustaria perfeitamente com o marinho e o picante da lambreta. Mas, sinceramente, apenas acho que a lambreta merece um vinho branco decente, gelado e mais nada!

Enfim, nesse intercâmbio Bahia/Austrália, não importa se usamos coisas daí ou daqui. O que importa é a diversão de se degustar! Esse ato secular de se sentar à mesa para comer e beber. Sem frescuras, sem a obrigatoriedade das grandes mesas e dos grandes vinhos. Simples! Vamos bebendo!

Mexilhões da estação
Receita de Rafael Tonon



Para 5 a 6 pessoas

3 colheres (sopa) de óleo1/2 cebola roxa grande ou 1 pequena
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes cortada picadinha
3 cebolinhas picadinhas
3 dentes de alho picadinhos
1kg de mexilhões*
3 colheres (sopa) de vinho branco
3 tomates picadinhos
75g de manteiga cortada em cubos
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto (se necessário, tome cuidado)
1/2 xícara de salsinha picadinha
*Boston Bay Mussels é o melhor pois já vem limpo, embalado à vácuo e pronto para cozinhar. É só colocar na panela. Se comprar à granel, é preciso lavá-los em água corrente e esfregá-los com uma escova para retirar eventuais sujeiras.

Preparo
Em fogo alto, refogue no óleo a cebola, a pimenta dedo-de-moça e a cebolinha até ficarem transparentes. Acrescente o alho e refogue por mais um minuto. Despeje os mexilhões no refogado e misture. Acrescente o vinho branco. Tampe por um minuto. Acrescente o tomate, a manteiga e a pimenta do reino. Mexa um pouco e tampe. Volte a mexer, de vez em quando, para dar espaço para as conchas abrirem. Quando todas estiverem abertas e a manteiga totalmente derretida, está pronto. Descarte os mexilhões que não abrirem e finalize com o sal, se necessário, e a salsinha.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Post/Poste

Vejam este post não como um post, mas como um poste. Entenderam? Nem eu!



A questão é a seguinte, o tempo é curto, os eventos são vários, hoje é sexta-feira e como um diretor de arte preguiçoso já disse que uma imagem vale por mil palavras, seguem alguns cartazes de eventos no melhor estilo poste de rua.

Hoje (sexta à noite)



Amanhã (sábado à noite)



Próxima quinta - Ensaio do bloco com apresentação do samba enredo composto pelo Andrezinho e por este que vos escreve, especialmente para o CarnaCoogee 2011. Afinal, How are you brow? How's going mate? É Carnaval no Coogee Bay!



Sábado que vem



Março



Março

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Van Halen na Austrália?

Já que a semana está totalmente rock n' roll, que continuemos assim. Mas agora com uma bombástica em primeiríssima mão.

No ano passado, quando ainda eram somente boatos, muitos de vocês ficaram sabendo por aqui as possíveis vindas do Metallica e do U2. Ambos vieram! Agora é a vez de uma das minhas bandas favoritas, aquela que pensei que jamais veria.



Sim, meus amigos, o Van Halen, que está com o gênio David Lee Roth de volta aos vocais, Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, no baixo, além dos irmãos Alex e Eddie, está em estúdio preparando novo álbum, o primeiro de inéditas com o vocalista em 25 anos.

Pelo que tudo indica, sairão em turnê assim que o álbum for lançado, mas, ao contrário da última, de 2008, desta vez cruzarão o Pacífico para se apresentarem na Austrália, Nova Zelândia, Japão e até mesmo uma possível aparição no Rock in Rio. Será?

Os Deuses do Rock dirão!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

IELTS - Considerações Finais

O que mais havia me irritado quando não passei no primeiro teste do IELTS foi ter desperdiçado uma excelente chance, uma vez que grande parte dos temas que caíram eram familiares. Eu sabia que na próxima prova dificilmente teria temas tão fáceis e isso poderia complicar. Por outro lado, a experiência de ter feito uma sempre ajuda.

Há três semanas, fui para a segunda tentativa. Não sei o motivo, mas eles separaram a prova em dois dias, começando numa quinta-feira. Pelo menos, o lugar não poderia ter me deixado mais à vontade: um bar/tab dentro de um racecourse (traduzindo para os amigos no Brasil: onde se bebe e aposta numa corrida de cavalos).

A largada foi dada com o listening. Como havia tirado 7.5 de 9.0 na anterior, eu estava bem tranquilo, porém, com a lição aprendida anteriormente de que em hipótese alguma poderia subestimá-lo. Ao passar a vista em todos os temas, vi que a sorte não estava tão ao meu lado assim.

Dos quatro assuntos, dois eram complicados. O primeiro era finanças. Eu, que não sei fazer conta, imaginem se sei alguma coisa de finanças... em portugês. Agora imaginem em inglês. O segundo era ainda pior: reciclagem de pneu. A coisa era tão complicada que entrava até em elementos químicos. Detesto carro, odeio trocar pneu e o máximo de química que sei é a existência de uma tabela que só é reconhecida pelo cérebro humano quando cantada por professores engraçadinhos de cursinho.

Mesmo não tendo a menor familiaridade com os assuntos, respirei fundo e coloquei na cabeça que poderia sim errar algumas questões, mas deveria tentar acertar o máximo possível. Parece óbvio, mas nessas situações é muito comum o candidato ficar nervoso, ser tomado pelo pessimismo, desânimo ou medo, e simplesmente deixar o barco à deriva. Uma amigona minha desencanou da prova aí, na largada. Não deveria!

O segredo é: prova de alcoólatra. Não porque eu estava num bar, mas é preciso fazê-la passo a passo, questão por questão, sem baixar a cabeça pelo que fica pra trás ou que vem pela frente (claro, dentro da dinâmica da prova, que é preciso estar ligado em tudo). Quando eu não pegava uma resposta, chutava algo próximo e tentava descontar na próxima. Deu certo! Caí de 7.5 da anterior para 6.5, mas é porque a outra havia sido realmente muito fácil.

A segunda parte da prova é o reading, o fuc^%$g reading, aquele mesmo que era o meu ponto forte e acabou custando toda a prova por 0.5 ponto (em tempo, eu precisava tirar mínimo de 6 em cada parte).

Confesso que quando a prova chegou, as borboletas do estômago começaram a jogar futebol, o que foi bom, pois fiquei ainda mais ligado. Passei o olho rapidamente em tudo e vi que os textos não estavam tão longos e não havia nenhum tema do tipo "a nova economia asiática e a influência no mercado de peixe da Sibéria".

Mais uma vez, optei pela prova de alcoólatra. Fiz questão por qustão, na velocidade necessária mas com uma concentração absurda. E foi essa concentração - no lugar de subestimar - que fez a diferença, pois em algumas questões, após ter anotado o resultado, voltei atrás, repensei, repensei de novo, e mudei a resposta, sendo que no teste anterior eu estava mais preocupado em guardar neurônios para o writing e teria seguido em frente. Resultado: pulei de 5.5 para 7.0.

O writing foi praticamente no mesmo nível do anterior, quando eu havia tirado 6.0, porém, na primeira parte, em vez de ter de escrever uma carta formal, era uma informal para um amigo, praticamente um email do dia-dia, o que facilitou a minha vida. Subi para 6.5.

Terminada a prova na quinta, ainda faltava o speaking, que marcaram para a tarde de sábado. Cheguei levemente fanfarrão, pois tinha em mente que o pior já havia passado, e um professor/examinador do próprio IELTS havia me falado que dificilmente latinos e europeus não alcançam 6 no speaking, o problema é mais com os asiáticos por causa da pronúncia. Porém, como havia aprendido a lição 11 com o fuc%$^ reading na prova anterior, respirei fundo antes de entrar na sala, deixei as borboletas confabularem e encarei a mulher.

A anterior era uma gata, essa não. Pior, ela era mais séria e daquelas simpáticas falsas do sorriso de mentirinha. Ou seja, rolou uma intimidação e eu caí na besteira de tentar dar respostas um pouco mais profundas, me prendendo mais no conteúdo do que na maneira de dizer, o que é um erro quase fatal.

No speaking do IELTS, o examinador não está nem aí para o que você pensa, qual é o seu ponto de vista sobre a situação política do Egito ou da Irlanda do Norte, ele só quer avaliar a sua fluência no inglês e o seu vocabulário. Se precisar mentir, matar irmão, cunhada, falar que é filho do Bill Gates, não tem problema, desde que o faça pronunciando claramente e com uma gramática minimamente aceitável.

O assunto no final foi pra religião, eu me empolguei, comecei a falar um monte de abobrinha, depois fiquei preocupado se estava ofendendo as convicções religiosas da examinadora, tentei recuar, perdi o fio da meada, travei, precisei parar, recomeçar, enfim... senti que a vaca poderia ir para o brejo.

Mas graças ao bom Deus e a todos os citados durante o meu infrutífero discurso religioso, agora a pouco peguei o resultado e ela me deu 6.0, meio ponto abaixo do anterior, mas nota suficiente para tornar o capítulo IELTS na Austrália coisa do passado (pelo menos por ora, já que tem prazo de validade).

Para verem as 10 dicas anteriores, cliquem aqui, para verem a dica 11, cliquem aqui, e para quem vai fazer a prova, de coração, boa sorte!